A espanhola Alex Rivière leva seu minimalismo atemporal para a Aquazzura em uma coleção cápsula nascida da amizade e de uma visão compartilhada. Ao lado do designer Edgardo Osorio, ela transforma a elegância em algo moderno, íntimo e fácil de usar, provando mais uma vez que estilo é melhor quando é pessoal.
Alex Rivière tem aquele tipo de estilo que parece natural, mas ao mesmo tempo totalmente pensado. Quando conheceu Edgardo Osorio, o criador colombiano por trás da Aquazzura, a conexão foi imediata. Os dois acreditam que moda deve ser vivida, e não encenada, e dessa sintonia nasceu uma amizade que agora se materializa em uma coleção cápsula que une o olhar clean dela com o glamour alegre dele.
Mostra que o verdadeiro luxo não está apenas no objeto, mas na intimidade de como ele é criado.
A relação de Rivière com a moda começou em Barcelona, ainda menina, folheando as Vogues da mãe e experimentando roupas de seu closet. Essa curiosidade inicial virou profissão como consultora, diretora criativa e fundadora de seu próprio estúdio, mas principalmente moldou sua filosofia: menos é mais, desde que esse “menos” seja feito com perfeição. A cápsula traduz exatamente essa ideia.
A colaboração está cheia de detalhes curiosos. Rivière, que prefere saltos que alonguem sem perder o conforto, desafiou os artesãos da Aquazzura a criar uma silhueta equilibrada, e daí nasceram mules que já parecem icônicas. Uma sandália foi inspirada em um achado de brechó em Paris, enquanto uma clutch traz fecho que lembra as joias de ouro de sua avó. Até a paleta de cores conta uma história: preto, off-white e metálicos suaves, escolhidos pela versatilidade e pela crença dela de que um guarda-roupa deve caber em uma mala de mão sem perder a elegância.
É curioso ver como a Aquazzura, conhecida pelo excesso festivo, abraçou tão bem o minimalismo de Rivière. Mas a amizade entre ela e Osorio fez isso possível. Em jantares e viagens, os dois discutiram tecidos, texturas e até a psicologia por trás do gesto de sempre voltar ao mesmo par de sapatos. Essa intimidade diferencia a cápsula de outras colaborações de marca com influenciadores. Rivière chegou até a registrar imagens da campanha com sua própria câmera, acrescentando um toque de proximidade rara.
Sua formação acadêmica também aparece no trabalho. Ela quase seguiu carreira em história da arte, e esse olhar para proporção e composição é visível nas peças, que parecem pequenas esculturas usáveis. O mesmo refinamento que leva para interiores e fotografia aparece aqui, criando uma coleção que atravessa diferentes linguagens criativas.
A forma como se apresenta nas redes também influenciou o projeto. Com mais de meio milhão de seguidores, Rivière trata seu perfil menos como vitrine e mais como diário honesto de estilo. Ela repete looks, mistura o luxo com o simples e evita produções artificiais. Foi exatamente essa transparência que chamou a atenção de Osorio e que agora traduz o espírito da mulher Aquazzura: sofisticada, internacional, mas acessível e curiosa.
Em casa, ela decora os ambientes com a mesma elegância contida que aplica em roupas. Já contou que ainda se inspira nas joias da avó, e embora seja referência de moda, costuma dizer que conforto e longevidade são mais importantes que novidades. Esses valores se refletem na cápsula, onde cada peça nasce para atravessar o tempo.
No fim, o detalhe mais encantador é a própria amizade. Rivière e Osorio se definem como família, e a coleção soa como uma celebração de confiança e admiração. Mostra que o verdadeiro luxo não está apenas no objeto, mas na intimidade de como ele é criado. Em meio a tantas colaborações de mercado, esta se destaca pela sinceridade e pelo caráter pessoal.
Quando Alex conheceu a Aquazzura, não começou apenas um projeto de moda, mas uma história sobre amizade, elegância e um estilo atemporal que não se veste apenas, mas se vive.