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The generations

The Generations: from 1500 to today

  • Uma jornada por cinco séculos de transformações que moldaram nossa maneira de pensar, criar, sentir e ocupar o mundo.

Olhar para as gerações ao longo do tempo é observar como cada século deixa marcas profundas não apenas na política e na economia, mas também nas sensibilidades, nos gestos cotidianos e nas formas de imaginar o futuro. A História não avança em linha reta: ela pulsa, recua, acelera, se reinventa. E, a cada intervalo, novas mentalidades emergem, redefinindo estilos de vida e modos de estar no mundo. Este panorama, que começa em 1500 e chega até a era digital, é uma travessia pelo que nos formou por meio de descobertas, crenças, revoluções, contraculturas, globalizações e reconfigurações constantes de identidade.

“Cada século deixa marcas que seguimos e reinventamos”

Entre grandes navegações, palácios barrocos, cafés iluministas, fábricas fumegantes, rupturas modernas, rebeldias culturais e telas luminosas, cada período revela mais sobre nós do que imaginamos. Revisitar essas eras em sequência traz não apenas perspectiva histórica, mas um entendimento sensorial de como chegamos, onde estamos e para onde ainda podemos ir.

O século das grandes navegações é o primeiro capítulo dessa jornada. Em 1500, o planeta começa a se interconectar de maneira irreversível. Expedições marítimas, rotas comerciais e o surgimento de impérios coloniais alteram geografias, economias e culturas. É uma época de descobertas e de um desejo insistente de ultrapassar fronteiras físicas e imaginárias. A curiosidade científica se mistura ao espírito expansionista, e a ideia de um “mundo maior” se torna parte da identidade humana. Esta geração cresce com a sensação de que tudo ainda pode ser encontrado.

O século barroco carrega drama em cada detalhe. A arte, a arquitetura e a música expressam opulência, teatralidade e fé. Palácios ornamentados, igrejas grandiosas e pinturas cheias de movimento revelam uma mentalidade que combina espiritualidade intensa e desejo estético exuberante. É o tempo do contraste entre luz e sombra, razão e devoção, poder e ornamento. As sociedades dessa época buscavam, na forma e no excesso, um reflexo de suas crenças mais profundas. A estética do barroco é mais do que visual: é emocional, expansiva, totalizante.

O Iluminismo ilumina os salões europeus com debates sobre razão, ciência, liberdade e novas formas de governo. Surgem academias, cafés, enciclopédias, correspondências intelectuais. É o século que prepara revoluções, não apenas a Francesa e a Americana, mas também revoluções de pensamento que questionam autoridade, tradição e estruturas sociais. A noção de liberdade moderna nasce aqui: direitos, cidadania, crítica racional e confiança na ciência como motor de progresso. Esta geração planta o terreno para o mundo contemporâneo ao defender que conhecimento e debate moldam sociedades.

Com a industrialização, o mundo acelera. Cidades se expandem, fábricas surgem, trens cruzam países e novas tecnologias transformam a relação com o tempo. O cotidiano muda: horários são regulados, trabalho se organiza em turnos, a vida urbana ganha intensidade. Em resposta a essa velocidade, o romantismo aparece como contraponto, celebrando natureza, emoções, poesia, paisagens e subjetividade. Surge a dualidade que ainda nos acompanha: o fascínio pela tecnologia e a saudade do que ela substitui. Esse século molda a mentalidade moderna ao apresentar a ideia de progresso como força inevitável.

O século XX começa em tensão. Entre guerras mundiais, mudanças políticas abruptas e crises econômicas, a arte encontra novas formas de interpretar o caos. Surgem vanguardas como futurismo, dadaísmo, surrealismo e expressionismo, cada uma propondo uma ruptura com o passado. A modernidade entra em conflito consigo mesma: tradição e futuro colidem, e as certezas científicas do século anterior se fragmentam. Esta geração vive um dos períodos mais intensos da história humana e produz uma estética marcada por inquietação, experimentação e desejo de reconstruir significados.

Com o fim da Segunda Guerra, o mundo busca reerguer-se. O consumo cresce, o design ganha linhas limpas e funcionais, o rock’n’roll surge como símbolo de liberdade, a cultura jovem começa a existir e a ideia de futuro torna-se otimista. É uma era que acredita na reconstrução social, econômica, emocional. O design mid-century, a publicidade moderna e as primeiras grandes indústrias culturais nascem aqui. Há entusiasmo, esperança e uma crença firme de que o mundo pode ser reinventado.

A segunda metade do século XX explode em movimento. Contracultura, revoltas estudantis, movimentos civis, liberação sexual, experimentação estética, arte conceitual, psicodelia. O desejo de ruptura se torna coletivo. Gerações jovens questionam autoridades, estruturas políticas, normas sociais e modelos de comportamento. É a era que cria comunidades alternativas, festivais históricos, novos padrões visuais e uma relação inédita com liberdade individual. Este período molda o pensamento contemporâneo ao afirmar o direito de cada pessoa a reinventar-se.

O fim do século XX traz globalização, telecomunicações, cultura pop, yuppies, moda acelerada, TVs a cabo, viradas tecnológicas e, finalmente, a internet. O mundo se aproxima às vezes mais rápido do que consegue processar. Muros caem, mercados se interligam, tendências se espalham instantaneamente. É uma era que projeta o indivíduo para novas possibilidades profissionais, culturais e identitárias. Esta geração vive a transição entre o analógico e o digital, entre o local e o global.

O século XXI é líquido, veloz, mutável. Smartphones, redes sociais, inteligência artificial, debates sobre clima, diversidade, gênero, trabalho remoto e saúde mental moldam as Gerações Z e Alpha. É um tempo de vozes múltiplas, identidades fluidas e questionamentos constantes sobre futuro, propósito e pertencimento. Nunca estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão desafiados a encontrar sentido nesse fluxo contínuo. Esta geração não apenas responde ao mundo: ela o redesenha.

Ao revisitar essas gerações, percebemos que cada período carregou suas próprias urgências, seus medos e suas esperanças. Do espírito aventureiro de 1500 à hiperconexão de hoje, somos resultado de camadas que se acumulam, se contradizem e se reinventam. A história, afinal, não é um registro distante: é um espelho de nossas transformações.